Focos de incêndio na vegetação às margens do rio Madeira, na área rural do outro lado do curso d’água em relação ao centro de Porto Velho, foram registrados na terça-feira (21) e voltaram a ser flagrados nesta semana, segundo o portal JH Notícias. As colunas de fumaça ficaram visíveis a partir da zona urbana da capital, no momento em que o estado inicia o período historicamente mais seco do ano, junho, julho e agosto.
O episódio ocorre num momento sensível para a gestão ambiental do município. Depois de Rondônia ter liderado o ranking nacional de queimadas em 2024, com cerca de 12 mil focos de calor e a pior qualidade do ar entre as capitais do país, o estado conseguiu reduzir os registros a 1.853 focos em 2025, uma queda de 82%. Entre janeiro e maio deste ano, a redução seguiu a mesma trajetória: os focos caíram de 106, no mesmo período de 2025, para 22 em 2026, recuo de 79,2%, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) repassados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Sema).
Apesar da melhora nos indicadores, o retorno da fumaça reacende o temor de que o padrão de anos anteriores se repita à medida que a estação seca avança.
El Niño deve prolongar a estiagem até 2027
Estudos meteorológicos repassados pela Prefeitura de Porto Velho apontam que os efeitos do El Niño sobre a região poderão se estender até o início de 2027, combinando temperaturas acima da média, umidade relativa do ar mais baixa e menor volume de chuvas. O fenômeno já provoca reflexos perceptíveis: o nível do rio Madeira segue em queda, dificultando a navegação e o transporte de cargas e passageiros para comunidades ribeirinhas, e episódios de mortandade de peixes têm sido associados à redução de oxigênio na água causada pela seca.
O secretário municipal de Meio Ambiente, Arthur Borin, tem afirmado que quem vive à beira do rio já sente os efeitos da estiagem e defende que a denúncia de queimadas ilegais e a adoção de medidas preventivas por parte da população sejam decisivas para evitar a repetição da crise de 2024, quando a capital chegou a ficar coberta de fumaça por semanas. Já o prefeito Léo Moraes tem destacado que o trabalho de prevenção realizado ao longo do ano é o principal responsável pela queda expressiva nos números recentes.
Fumaça é fator de risco à saúde pública
Historicamente, o avanço das queimadas em Rondônia é acompanhado por piora na qualidade do ar, sobretudo nas áreas urbanas. A fumaça liberada pela queima de vegetação tende a provocar irritação nos olhos e nas vias respiratórias, além de agravar quadros de asma, bronquite e outras doenças respiratórias — com impacto mais severo sobre crianças, idosos e pessoas com comorbidades. Em anos de seca mais intensa, como 2024, a redução da visibilidade também afeta rodovias e o tráfego fluvial, enquanto a procura por atendimento médico relacionado a problemas respiratórios tende a crescer nos meses mais críticos.
Queimar vegetação é crime ambiental previsto em lei municipal, sujeito a multa por hectare atingido, além das sanções previstas na legislação federal. A Sema mantém, ao longo do período de estiagem, ações de fiscalização, notificação de proprietários de terrenos e campanhas de conscientização voltadas especialmente aos moradores de áreas mais vulneráveis, como o Baixo Madeira.
Fonte: Redação