Terreno de antigo cemitério virou condomínio após remoção de quase 700 corpos em Porto Velho

Por rondonia conectada

27/07/2026

5:05 pm

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Quem passa hoje pelas ruas arborizadas do bairro Eletronorte, na zona sul de Porto Velho, dificilmente imagina que parte da região já foi destinada aos mortos. Antes de se tornar uma das áreas residenciais mais valorizadas da capital de Rondônia, o local abrigou o antigo Cemitério Cristo Redentor, criado para desafogar a demanda por sepultamentos na cidade, mas desativado poucos anos depois devido a problemas estruturais.

A trajetória do terreno acompanha o próprio processo de expansão urbana de Porto Velho nas décadas de 1970 e 1980. O espaço, que nasceu para atender uma necessidade emergencial da cidade, acabou sendo incorporado ao crescimento imobiliário após uma operação de exumação considerada inédita para a época.

A criação do Cemitério Cristo Redentor foi autorizada em 1967 pela Prefeitura de Porto Velho, em um momento em que o tradicional Cemitério dos Inocentes já operava acima da capacidade. Segundo pesquisa do historiador Luís Henrique Araújo, embora a decisão administrativa tenha ocorrido naquele ano, o novo cemitério só começou a receber sepultamentos em 1970, após intervenções para adequar a área.

Desde os primeiros anos de funcionamento, porém, surgiram obstáculos que comprometeram a utilização do espaço. Construído sobre uma região de lençol freático elevado, o terreno sofria constantes alagamentos durante o inverno amazônico. A água dificultava os enterros e despertava preocupação quanto aos riscos de contaminação do solo e de poços existentes nas proximidades.

As dificuldades técnicas também pesavam no orçamento público. Estudos da época apontavam que seria necessário investir em um complexo sistema de drenagem para manter o cemitério em funcionamento, sem garantia de que o problema fosse solucionado de forma definitiva.

Diante desse cenário, a Prefeitura publicou, em 20 de janeiro de 1975, o Decreto nº 641, determinando a paralisação dos sepultamentos tanto no Cristo Redentor quanto no Cemitério dos Inocentes. Enquanto o primeiro enfrentava problemas ambientais e de infraestrutura, o segundo já não possuía espaço suficiente para atender ao crescimento populacional da capital.

A solução encontrada foi a implantação de um novo cemitério em outra região da cidade, às margens da estrada de acesso à Cachoeira de Santo Antônio. Com isso, o Cristo Redentor perdeu gradativamente sua função original.

A transformação definitiva ocorreu anos mais tarde. Em 1982, teve início o processo de remoção dos restos mortais ali sepultados. De acordo com o levantamento histórico, a operação envolveu a Prefeitura de Porto Velho e empresas ligadas à construção da Usina Hidrelétrica de Samuel.

Os trabalhos começaram com uma cerimônia religiosa e contaram com a presença de familiares dos sepultados. Ao longo de aproximadamente um ano, cerca de 690 corpos foram exumados e transferidos para o Cemitério Santo Antônio.

Com a área liberada, o antigo campo-santo deu lugar a um conjunto residencial planejado para abrigar principalmente empregados da Eletronorte, entre eles engenheiros, médicos e outros profissionais que atuavam na implantação de grandes projetos de infraestrutura na região.

Ao longo das décadas seguintes, o bairro consolidou-se como uma das áreas de maior valorização imobiliária de Porto Velho. O passado, entretanto, permanece desconhecido por muitos moradores.

A história do antigo Cemitério Cristo Redentor revela como o crescimento urbano da capital modificou profundamente a ocupação do espaço. Onde antes havia jazigos e sepultamentos, hoje existem residências, ruas pavimentadas e áreas de convivência — um retrato das transformações vividas por Porto Velho ao longo dos últimos cinquenta anos.

Fonte: Redação

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