A Prefeitura de Porto Velho deu um importante passo para o reconhecimento internacional da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré (EFMM). Neste sábado (1º), data em que a histórica ferrovia completa 114 anos de inauguração oficial, foi entregue ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) uma carta de intenção manifestando o interesse do município em estruturar a candidatura da EFMM à Lista do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).
O documento foi encaminhado à Superintendência do Iphan em Rondônia e solicita apoio institucional para a criação de um Comitê Técnico Interinstitucional que conduzirá os estudos e levantamentos necessários para a futura candidatura.
A proposta reconhece a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré como um patrimônio de valor universal excepcional, destacando sua importância histórica, cultural, tecnológica e humana. Construída entre 1907 e 1912 em cumprimento ao Tratado de Petrópolis (1903), a ferrovia foi fundamental para a integração da Amazônia, o fortalecimento das relações entre Brasil e Bolívia e, principalmente, para o surgimento e desenvolvimento de Porto Velho.
Além de sua relevância econômica e estratégica, o documento ressalta que a Madeira-Mamoré representa um dos maiores símbolos da memória da imigração internacional, da engenharia ferroviária e da história social do trabalho, preservando remanescentes ferroviários, locomotivas, oficinas, edifícios históricos e um conjunto arquitetônico de grande importância para o Brasil e para o mundo.
A carta também prevê a realização de estudos técnicos e científicos, levantamento histórico, arquitetônico, arqueológico e documental, elaboração do dossiê de candidatura e o desenvolvimento de ações permanentes de preservação, pesquisa, educação patrimonial e promoção turística do conjunto ferroviário.
Reconhecimento Mundial
Para o prefeito de Porto Velho, Léo Moraes, iniciar esse processo representa um compromisso com a preservação da história da capital. “A Estrada de Ferro Madeira-Mamoré é o maior símbolo da nossa origem. Trabalhar para que esse patrimônio alcance reconhecimento mundial é valorizar nossa história, fortalecer nossa identidade e projetar Porto Velho para o mundo. Esse é um legado que queremos preservar para as futuras gerações.”
O secretário executivo de Turismo da Semtel, Aleks Palitot, destacou que a iniciativa reforça o compromisso do município com a valorização do patrimônio histórico.
“Estamos iniciando uma construção que exige união entre instituições, pesquisa e compromisso com a preservação da nossa memória. A Madeira-Mamoré possui atributos históricos, culturais e humanos que justificam plenamente a busca pelo reconhecimento como Patrimônio Mundial. Esse é um passo histórico para Porto Velho e para toda a Amazônia.”
Próximo passo
O superintendente do Iphan em Rondônia, Crisvaldo Cássio Silva de Souza, recebeu a manifestação com entusiasmo e ressaltou que o processo seguirá os trâmites institucionais.
“Recebi a carta com muita satisfação. Ela será protocolada no âmbito do Iphan e encaminhada à Presidência do Instituto, em Brasília, para conhecimento e para que sejam adotados os encaminhamentos institucionais cabíveis. A candidatura de um bem à Lista do Patrimônio Mundial da Unesco segue um processo técnico bastante rigoroso e envolve diversas etapas, mas consideramos muito importante que o Município manifeste esse interesse e se disponha a construir esse diálogo com o Iphan.”
A iniciativa representa o início de um trabalho conjunto entre Prefeitura de Porto Velho, Iphan, Governo do Estado, universidades, instituições culturais e centros de pesquisa, com o objetivo de consolidar a candidatura da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré ao reconhecimento internacional.
Caso obtenha o título, a Madeira-Mamoré passará a integrar o seleto grupo de patrimônios reconhecidos pela Unesco por seu valor universal excepcional, ampliando a visibilidade internacional de Porto Velho, fortalecendo o turismo cultural e contribuindo para a preservação de um dos maiores legados históricos da Amazônia brasileira.
Fonte: Prefeitura Porto Velho