Camponeses denunciam pulverização de veneno junto a casas e lavouras em Rondônia

Por rondonia conectada

01/10/2026

6:52 pm

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Uma camponesa passou mal e precisou ser socorrida de ambulância após enfrentar o responsável pela pulverização de agrotóxico junto ao Assentamento Varões de Deus, em Porto Velho (RO), em 27 de setembro. As famílias filmaram uma máquina aplicando veneno na soja a poucos metros de suas casas e lavouras. A Comissão Pastoral da Terra (CPT) divulgou as imagens e o relato em 30 de setembro.

A CPT denuncia o uso do veneno para expulsar as 168 famílias de uma área que identifica como terra pública, próxima à estrada Expresso Porto. Segundo a entidade, o latifundiário também recorre à intimidação por homens armados e abriu, em junho, uma vala entre as chácaras para escoar água e agrotóxicos da lavoura. A estrada é uma obra federal voltada ao transporte da soja para os portos graneleiros do Madeira.

As famílias de Varões de Deus seguem na terra e cultivam alimentos, apesar das pressões. “nós temos muitas famílias cuidando e trabalhando em cima da terra, para que a cidade não perca o seu alimento”, declarou um morador à CPT.

Expansão do latifúndio na AMACRO

Os registros de contaminação por agrotóxicos em Rondônia aumentaram 54% entre 2023 e 2024, segundo a CPT. No balanço divulgado em maio de 2025, Neia, camponesa da comunidade Triunfo, em Candeias do Jamari, denunciou que a pulverização aérea já impedia as famílias de produzir: “não estamos mais conseguindo trabalhar por causa da pulverização de avião”, relatou.

Para a safra 2024/2025, a Agência de Defesa Sanitária Agrosilvopastoril do Estado de Rondônia (Idaron) estimava cerca de 687 mil hectares plantados com soja no estado. Uma pesquisa publicada na Revista de Política Agrícola, com dados do comércio de agrotóxicos entre 2017 e 2021, identificou a soja como o principal destino desses produtos em Rondônia. A expansão da lavoura também pressiona áreas protegidas e territórios indígenas, apontam os pesquisadores.

Porto Velho integra a AMACRO, fronteira de expansão do latifúndio agroexportador na região de encontro entre Amazonas, Acre e Rondônia. Um estudo publicado na Revista NERA, com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostrou que a área plantada de soja cresceu 82% entre 2018 e 2021 no conjunto dos municípios analisados. Nos 12 municípios rondonienses incluídos nesse recorte, o crescimento foi de 69%.

Em 2019, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) realizou a primeira reunião para discutir a criação da AMACRO como região voltada à produção do latifúndio. Em 2025, a CPT registrou 195 conflitos no campo em 27 municípios dessa fronteira, dos quais 186 eram conflitos por terra. Entre as formas de violência registradas, houve 69 ocorrências de ameaça de expulsão e 26 de pistolagem.

Fonte: A Nova Democracia

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