Após plantar 66 bilhões de árvores, China transforma paisagem e surpreende cientistas

Por rondonia conectada

11/07/2026

12:37 pm

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O maior projeto de reflorestamento do planeta continua chamando a atenção do mundo. Iniciado em 1978 para conter o avanço da desertificação, o programa conhecido como Grande Muralha Verde já resultou no plantio de cerca de 66 bilhões de árvores na China. Quase cinco décadas depois, os impactos vão muito além da contenção da areia: estudos apontam melhora na qualidade do ar, redução das tempestades de poeira e um comportamento inesperado das florestas plantadas.

Criada para frear a expansão dos desertos de Gobi e Taclamacã, a iniciativa transformou parte da paisagem do norte chinês. A cobertura florestal nas áreas atendidas passou de 5% em 1978 para 14% em 2023, contribuindo para reduzir a degradação ambiental e proteger regiões antes ameaçadas pelo avanço do deserto.

Agora, uma pesquisa publicada na revista científica Geophysical Research Letters revelou que as florestas plantadas na China estão desenvolvendo sua cobertura vegetal em ritmo superior ao das florestas naturais. Com base em imagens de satélite, os pesquisadores observaram que o índice de área foliar indicador relacionado à capacidade das árvores de capturar carbono, cresceu 66% mais rapidamente nas áreas reflorestadas.

Segundo os cientistas, parte desse desempenho está ligada à idade das árvores, que ainda se encontram em fase de crescimento acelerado. No entanto, o estudo mostra que o manejo das florestas também faz diferença. Espécies de crescimento rápido e técnicas de manejo mais intensivas favorecem a absorção de luz, água e nutrientes, potencializando o desenvolvimento da vegetação.

Os pesquisadores, no entanto, destacam que essa vantagem tende a diminuir com o passar do tempo. O crescimento mais acelerado ocorre quando as árvores têm entre 30 e 40 anos. Depois desse período, as florestas naturais passam a apresentar maior capacidade de armazenar carbono e maior resistência às mudanças ambientais.

Apesar dos resultados, especialistas que não participaram da pesquisa recomendam cautela na interpretação dos dados. Eles observam que o estudo analisou principalmente a densidade das folhas, enquanto o carbono também é armazenado em troncos, raízes, cascas e no solo, fatores essenciais para medir o impacto ambiental das florestas.

Mesmo com esse debate científico, a dimensão do projeto impressiona. Atualmente, as florestas plantadas ocupam cerca de 90 milhões de hectares, correspondendo a mais de um terço da área florestal chinesa. A expectativa do governo é ampliar ainda mais esse número, com o plantio de outros 34 bilhões de árvores até meados deste século.

A experiência chinesa reforça que projetos de reflorestamento em larga escala podem gerar benefícios ambientais significativos, mas também evidencia que o planejamento, a escolha das espécies e o manejo adequado das áreas reflorestadas são fatores decisivos para que esses resultados se mantenham ao longo das próximas décadas.

Fonte: Redação

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