O cinema produzido na Amazônia continua abrindo espaço com criatividade e insistência. Um exemplo recente é o curta-metragem “O Diabo do Bar da Esquina”, lançado em fevereiro de 2026, que transforma uma conhecida lenda urbana de Porto Velho em narrativa audiovisual. Com cerca de 25 minutos de duração, a produção rondoniense já teve exibição presencial no Cine Laser e agora está disponível gratuitamente no YouTube.
A história acompanha um garoto que acredita que a mãe foi levada pelo diabo após uma dança em um forró. Ao lado de amigos, ele parte em busca de respostas, em uma investigação que mistura suspense, humor e elementos sobrenaturais — combinação que dialoga diretamente com o imaginário popular da região.
Mais do que contar uma história de mistério, o curta também aposta em algo ainda pouco explorado no audiovisual nacional: as lendas urbanas da Amazônia. Narrativas que vivem na memória coletiva, nos relatos de esquina e nas conversas de bairro, mas que raramente ganham espaço nas telas com produções locais.
Cinema regional em construção
O projeto foi viabilizado com recursos da Lei Paulo Gustavo e reuniu profissionais de Rondônia e Manaus. As gravações ocorreram em Porto Velho, tendo como cenário principal um típico bar de esquina — ambiente comum na cidade e que ajuda a construir o clima de mistério da trama.
A direção é do humorista Geandeson Mosini, que atua no stand-up desde 2015 e possui formação em Publicidade e Jornalismo. No curta, ele transporta para o audiovisual sua experiência com a comédia, utilizando o humor como contraponto para aliviar a tensão do enredo.
Para o ator Alzir Queiroz, que também colaborou na adaptação do roteiro, a mistura de gêneros foi pensada para aproximar o público da história.
“O suspense prende a atenção, mas o humor ajuda o público a se reconhecer nas situações e nos personagens”, explica.
O preparador de elenco Lucas Nufreli também destaca o trabalho de construção dos personagens durante as filmagens, reforçando a busca por interpretações que dialogassem com a realidade local.
Histórias da Amazônia ainda pedem mais espaço
Produções como “O Diabo do Bar da Esquina” revelam um movimento crescente de artistas amazônidas que tentam transformar histórias regionais em cinema. Ainda assim, o desafio permanece: fazer com que essas narrativas ultrapassem os limites da internet ou de exibições pontuais e alcancem maior circulação.
Em uma região rica em lendas, personagens e cenários únicos, iniciativas como essa mostram que há matéria-prima cultural de sobra. Falta, muitas vezes, estrutura, incentivo contínuo e espaços de exibição capazes de levar essas histórias para além das produções independentes.
Enquanto isso, o “diabo do bar da esquina” segue cumprindo um papel curioso: lembrar que algumas das melhores histórias da Amazônia ainda estão esperando para ser contadas.
Redação