A Polícia Civil de Rondônia deflagrou nesta quinta-feira (27) a segunda fase da Operação Quirinos, ampliando o cerco contra uma organização criminosa investigada por tráfico interestadual de drogas e lavagem de dinheiro. A ofensiva inclui uma prisão preventiva, mandados de busca e apreensão e o bloqueio de até R$ 8,66 milhões em ativos financeiros ligados aos investigados.
As medidas, autorizadas pela Justiça, são cumpridas pela 2ª Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (2ª DRACO) em imóveis relacionados aos alvos nos municípios de Costa Marques e Alvorada do Oeste. A nova etapa pretende não apenas identificar outros possíveis integrantes da organização, mas também esclarecer o papel desempenhado por cada suspeito dentro da estrutura investigada.
O ponto de partida da operação foi uma apreensão de grandes proporções realizada em 30 de junho de 2025. Na ocasião, policiais localizaram aproximadamente seis toneladas de maconha do tipo skunk escondidas em compartimentos preparados em um caminhão. Segundo a investigação, a carga teria como destino o Estado de São Paulo.
A apreensão, porém, não encerrou o caso. Ao contrário, abriu caminho para uma investigação mais ampla, voltada a identificar quem estaria por trás do transporte da droga e como funcionaria a estrutura responsável por movimentar recursos provenientes da atividade criminosa.
É justamente nessa frente que a segunda fase ganha relevância. O bloqueio milionário determinado pela Justiça indica que a investigação passou a mirar também o patrimônio e a movimentação financeira atribuídos aos suspeitos. O objetivo é verificar se bens e recursos teriam sido utilizados para ocultar ou dar aparência lícita a valores relacionados ao tráfico.
A operação, portanto, deixa de se concentrar apenas na circulação da droga e avança sobre a cadeia financeira que pode sustentar a atividade criminosa. A estratégia segue uma lógica comum em investigações de organizações estruturadas: atingir não apenas os responsáveis pelo transporte e distribuição dos entorpecentes, mas também os recursos que permitem a continuidade do negócio ilegal.
Apesar das medidas cumpridas nesta quinta-feira, a investigação ainda busca delimitar responsabilidades. Ser alvo de mandado ou ter valores bloqueados judicialmente não significa, por si só, condenação ou comprovação definitiva de participação criminosa. Caberá ao avanço da apuração reunir elementos capazes de individualizar a conduta de cada investigado.
Com a segunda fase, a Operação Quirinos passa a mirar um cenário mais amplo: da apreensão de toneladas de skunk em um caminhão à tentativa de desmontar uma possível engrenagem de tráfico e lavagem de dinheiro. O resultado das buscas e a análise dos recursos bloqueados poderão indicar o tamanho real da estrutura investigada e até que ponto ela estava articulada para operar entre Rondônia e outros estados.
Fonte: Redação